quinta-feira, 22 - outubro - 2020

Rio Preto: Minha Pátria

Compus o seguinte poema “Rio Preto: Minha Pátria” em 1999, quando Rio Preto estava completando 36 (trinta e seis) anos como município. Tenho certeza que muitos riopretanos se acharão nele, seja brincando de pular as grades do coreto… seja namorando em volta da Igreja Matriz… seja lembrando de seus familiares queridos…

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Rio Preto: Minha Pátria

Se com três palavras fosse lhe descrever,
subiria em seu corpo afora, até a mais alta serra,
e antes do Sol se poer,
com a euforia que estou agora, que ao meu âmago se encerra,
descreveria-lhe exclamando, contemplando sua cor amada:
– ilustre terra avermelhada!

A terra vermelha, idolatrada!
Que lhe realça o caráter; que em partes se oculta
cultivando raízes, vertendo lágrimas pelos desenganos,
sob duradouras bases; que tatua, encardindo sem culpa,
os pés dos seus frutos riopretanos;
que hoje, após médio resvalo dos anos,
glorifica-lhe por sua trigésima sexta idade
e muito lhe agradece, pois era só, desde a Antiguidade.

Mesmo pequeno, por sobre seu terreno,
se espalham vistas de plena admiração:
como a capelinha, que lança de sua feição
um mágico raio a encantar todo olhar sereno;
o vivo coreto, refúgio da infância
que salta sua grade a brincar;
a praça da Matriz, que testemunha a ânsia
de todo casal que, ao seu leito,
namora à chuva de luar;
e a mais célebre, o rio, que, quando com ira,
forma com a melodia das águas de seu peito
a canção que harmoniza, que inspira.
Um rio de júbilos e prantos
lembrados pela natureza vivente
em harmoniosos cantos
iluminados pela frouxa luz do ocidente.
Um rio que é a quinta-essência
em sua existência.

Ó minha terra, terra de preciosos momentos,
como hospeda tantos, tantos fascinantes acontecimentos?

As atraentes fumacinhas
que se encimam de suas chaminés
e, ao invés
de poluírem, de lhe formarem um sujo véu,
as ditosas, as espertinhas,
brincam no azul-celeste do céu.
Em seus ares,
ares de pomares,
tudo se fulmina de paixão:
se tornam infalíveis as serestas;
os córregos, empinando os bandos, criam orquestras;
as classes sociais, o bêbedo e o são
cantam a mesma canção;
o arco-íris parece ter mais cores;
as rosas têm mais odores;
a chuva, nem ela é igual em todo o mundo,
pois, o homem da janela, seu filho Raimundo,
a faz ser diferente, quando numa volúpia ardente
realiza nela, em sua caída,
seus sonhos, e é assim que a modifica.

O conto de quando estava se formando
é amorável, estará sempre em minha memória:
a capelinha de São Gonçalo iniciando sua história
ao resguardar, em seu redor, um arraial, o seu primitivo bando…

Ó minha terra, que saudade de seus filhos antigos!…
Mesmo sem os ter conhecido, mesmo sem poder
imaginar seus semblantes, são meus eternos amigos,
porque apreciaram seu amanhecer, seu entardecer;
porque amaram seu jeito de ser.

Ó meu Rio Preto, ilustre terra avermelhada,
com muito amor, com uma imaginação alada,
lhe fiz poesia, meu poema já preferido
e que a todo riopretano honrará, quando for lido.

Só lhe peço em mercê, minha terra,
que minha sepultura seja em sua terra,
para que minha carne possa lhe abastecer;
só assim, feliz descansarei;
porém, se não for seu manto aos meus ossos aquecer,
pós minha morte, ressentido, morrerei.

São Gonçalo do Rio Preto – MG, 1999.
Diego Emanuel

Sobre Diego Emanuel

Riopretano, poeta e programador. Acredita que o mundo melhor começa em nós mesmos, e que será construído com cada ser humano pensando o bem a qualquer outro – caminho para a felicidade individual -, com educação, trabalho que liberta e automação.

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